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Artigo
sexta, 04 de fevereiro de 2022
Carteira assinada, sim
Em artigo publicado no jornal Gazeta do Povo, edição desta quarta-feira, 2, o presidente da Faciap, Fernando Moraes, aborda a realidade do mercado de trabalho em que em muitas empresas sobram vagas por falta de mão-de-obra qualificada. Fala também sobre a baixa procura por cursos de qualificação, além do aumento da informalidade, que interfere na qualidade de vida das pessoas, no acesso a alguns direitos como a aposentadoria e afeta o desempenho da economia como um todo.
Carteira assinada, sim
*Fernando Moraes
Todos os meses acompanhamos as estatísticas divulgadas pelo IBGE e o último levantamento apontou que o número de empregados com carteira assinada no setor privado foi de 34,2 milhões de pessoas, o que representa um aumento de 4% quando comparado ao trimestre anterior. Enquanto isso, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (12,2 milhões) subiu 7,4%. Em um País com 212 milhões de habitantes, não podemos dizer que há um descompasso nas estatísticas?
Em nossa região, muitas empresas se deparam com uma realidade onde sobram vagas de emprego, mas falta mão de obra. Todos nós certamente já ouvimos falar sobre alguém que deixou de buscar uma oportunidade de trabalho para não perder os benefícios do seguro desemprego. Muitas pessoas aguardam o recebimento da última parcela do benefício para buscar um novo emprego. Isso acontece porque quando o governo reconhece que uma pessoa passará por entrevista de emprego, o benefício é automaticamente cancelado, mesmo que ela não seja aprovada para a vaga de trabalho. Ou seja, a pessoa corre o risco de ficar sem a vaga e também sem o seguro desemprego. Não será a hora de refletir sobre algumas regras que, ao invés de beneficiar de forma real o cidadão, o impede de buscar novas alternativas formais?
Outra realidade é a falta de entusiasmo para a qualificação profissional. Uma vez que o cidadão perde o interesse de conquistar um novo emprego, perde também o desejo de se tornar um profissional mais qualificado e competitivo.
Uma das consequências de todo esse imbróglio é o crescimento da informalidade, que segundo o último levantamento do IBGE, apontou 38,6 milhões de trabalhadores informais no Brasil. É um número significativo, principalmente porque a expansão da informalidade é um fator que prejudica o crescimento econômico de um país, uma vez que empreendimentos informais não se beneficiam de economias de escala, operam com uma combinação ineficiente de capital e têm acesso muito restrito ao mercado financeiro.
Além do mais, a informalidade interfere na condição de vida das pessoas, no acesso a alguns direitos como a aposentadoria, por exemplo, e no padrão de consumo do trabalhador, afetando a produtividade da economia como um todo. É uma verdadeira reação em cadeia.
Precisamos deixar de lado o hábito de atacar as consequência, esquecendo das causas dos problemas. O governo criou o Bolsa Família para combater a miséria e o seguro desemprego para que o trabalhador fique amparado enquanto não encontra um novo emprego para o seu sustento, mas e as regras que fazem com que o cidadão prefira ficar em casa recebendo os seus benefícios ao invés de buscar novas oportunidades no mercado formal de emprego?
Economia aquecida beneficia a todos. Pensemos sobre isso!
Fernando Moraes, presidente da Faciap
Publicado originalmente na Gazeta do Povo
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